Como Alfabetizar – Dicas e Atividades de alfabetização

COMO ALFABETIZAR

Uma das tarefas mais difíceis de quem escolhe a área da alfabetização é justamente alfabetizar, seja crianças, jovens ou adultos. Alfabetizar requer cuidados específicos e muita paciência por parte do professor, sabemos que cada aluno tem o seu tempo de aprendizagem, seu modo de entender e assimilar o conteúdo e todos são diferentes uns dos outros.

A sala de aula é um espaço onde o professor encontrará absolutamente tudo, alunos que já sabem um pouco, que não sabem nada, que gostam de aprender, que não gostam de aprender, que tem problemas familiares e outros com nenhum problema aparente, enfim, a sala de aula é o ambiente mais desafiador na vida tanto dos alunos quanto dos professores, mas também é um dos mais gratificantes na vida de quem escolhe essa área no extenso leque da educação, alfabetizar é uma delicia, ver a evolução dos alunos é incrível e gratificante, mas existe uma maneira correta de fazê-lo?

Existe o certo e o errado?

Como eu posso alfabetizar meus alunos?

Essas perguntas são incrivelmente normais e compreensíveis, afinal é uma grande responsabilidade nas mãos do professor não é mesmo!

Existe uma linha tênue entre certo ou errado, na educação exageros e excessos não são exatamente bem vindos, entretanto nem sempre menos é mais. Na educação existe um meio termo para casa turma e isso é simplesmente maravilhoso.

Nenhuma turma de alfabetização será igual à outra, nenhum aluno será exatamente igual ao outro, os materiais usado não serão os mesmo nem muito menos os métodos que serão utilizados, essa é a magia da educação infantil e da alfabetização, a cada ano que passa tudo se renova e se transforma. Mas antes de falarmos um pouco mais sobre alfabetizar vamos entender como funciona a cabecinha dos pequenos?

Logo após o seu nascimento, os bebes produzem mais ou menos 3 mil sinapses por segundo, essas sinapses são as conexões entre os neurônios que servem para armazenar e transmitir informações, essas informações ficam ali, guardadinhas no cérebro das crianças por um tempo. Nesses períodos é de suma importância que as crianças sejam extremamente estimuladas, todos os sentidos (tato, olfato, visão, paladar e audição), para que ocorra um melhor desenvolvimento cognitivo, lingüístico, social e emocional.

Isso será uma base para o aprendizado dos pequenos e por isso devem ter uma atenção especial na primeira infância, são as sinapses as maiores responsáveis por todas essas informações.

Como alfabetizar na Educação Infantil

Crianças com alguma deficiência ou transtorno devem ser duplamente estimuladas de todas as maneiras possíveis, para que tenha uma vida normal, como qualquer outra criança e para que seu processo de aprendizagem e alfabetização não seja considerado posteriormente uma experiência difícil demais ou até mesmo traumática, como ocorre em muitos casos, infelizmente.

Do seu nascimento até mais ou menos os cinco anos de idade das crianças o seu cérebro vai funcionar como uma esponja que captura e acumula tudo que esta a sua volta, justamente por conta das sinapses, nessa fase a criança tem um alto rendimento cerebral por isso é muito importante que seja estimulada, seu potencial de aprendizagem está praticamente no ápice, no dia-a-dia da escola e em casa, é possível estimular os pequenos, basta usar a imaginação, utilizar diferentes objetos, aromas, formas e brincadeiras, dessa forma aprendizado se torna muito mais prazeroso e interessante.

Com o avanço da idade e desenvolvimento o cérebro dos pequenos encontra uma necessidade de processar as informações mais complexas, dessa forma ocorre uma seleção natural, onde o cérebro armazena apenas as sinapses mais utilizadas e guarda as outras em um lugar que podemos chamar de subconsciente, o cérebro dessa maneira fica mais ativo para investir em algo novo, sobrando mais espaço para o novo conhecimento que será adquirido.

Por conta dessa seleção natural do cérebro a necessidade de estímulos é tão grande, é preciso que as ferramentas aprendidas pelos pequenos estejam em constante treino para que não sejam esquecidas com o tempo.

Entretanto existem também os estímulos negativos na vida dos pequenos, ruídos constantes, estresse, brigas, isolamento social, faz com que a criança sintam medo, e se enclausure do mundo, esses estímulos negativos além de fazer mau para o desenvolvimento das crianças fazem com o que o cérebro não se desenvolva como a de outras crianças que recebem estímulos positivos podendo diminuir o desenvolvimento e criação de sinapses. 

Alguns passos de Como Alfabetizar:

Agora que já entendemos um pouco mais sobre o funcionamento da cabeça dos nossos alunos vamos voltar para a alfabetização? Como citei acima não há turmas iguais, alunos iguais, tudo será diferente ano após ano, mas existem atividades que você professor pode realizar para ajudar nesse processo de ensino aprendizagem, o processo de sondagem é uma delas, com ele você identifica o que o aluno sabe e consegue elaborar os planos de aula, por exemplo. Vamos por passos então?

1º Passo: A Sondagem

Esse passo é muito importante, é com ele professor, que você irá saber em qual nível seu aluno se encontra garatujas, pré-silábico, silábico sem valor sonoro, silábico com valor sonoro, silábico-alfabético ou alfabético.

  • Garatujas: o aluno apenas rabisca e faz desenhos
  • Pré-silábico: o aluno utiliza letras porém, não tem nenhuma relação com a fala.
  • Silábico sem Valor Sonoro: o aluno representa cada sílaba com uma letra aleatória.
  • Silábico com Valor Sonoro: o aluno usa uma das letras das sílabas para representar.
  • Silábico-alfabético: o aluno alterna a representação silábica com uma ou mais letras da sílaba.
  • Alfabético: o aluno escreve convencionalmente apesar de erros ortográficos.

Você pode elaborar uma atividade diagnóstica comum para esse momento como passar uma lista de palavras para os alunos, sobre determinado terma como animais, com diferentes quantidades de sílabas. Com base nessa atividade o professor pode elaborar um mapa do que cada aluno sabe, dessa forma ele terá um norte sobre como prosseguir com o processo de alfabetização.

Você pode usar essa atividade de forma periódica também, para informar os familiares como esta o andamento dos alunos da escola, por exemplo. 

2º Passo: Foco no Sistema de Escrita

Antigamente era realizado uma ideia de memorização, os alunos repetiam as silabas (ma, me, mi, mo, mu), para depois tentarem formar frases com essas repetições para só depois disso, fazer as frases, o que muitas vezes não chegavam a ocorrer de fato.

Hoje você, professor, pode criar momentos gostosos com os alunos, convide-os para que se sentem em roda, e pensem sobre as peculiaridades da língua escrita e falada, a intenção aqui é fazê-los pensar sobre, refletir e chegarem a uma resposta juntos. Assim aos poucos e maneira leve e prazerosa as crianças irão entender as ligações entre os sons e as grafias. Você pode também desafiar os alunos a lerem e escreverem por conta própria, assim eles já vão assimilando os conteúdos e criando suas próprias identidades na escrita.

3º Passo: Foco nas Práticas de Linguagem

Agora é hora de ajudar os alunos a entender como os textos de organizam e quais são seus aspectos específicos para a linguagem escrita, o importante agora é levar a turma a uma compreensão e percepção das características sociocomunicativas, mostre a eles que cada estilo de escrita e material depende da intenção e da informação do texto e para quem se escreve. Você pode realizar com eles leitura em voz alta, produção de textos (o professor atuando como escriba), questionar as intenções do autor do texto, faça com que eles pensem a respeito e cheguem as respostas sozinhos, questione sobre a construção do sentido do texto.

4º Passo: Projetos Didáticos

São um complemento e tanto para a alfabetização, pode ser feito na rotina da classe resultando em um produto final como uma carta, livro, jornal, causando um sentido maior nesse processo pois outras pessoas irão ver aquele trabalho.

Durante esses projetos as crianças enfrentam desafios reais para produção de texto, as principais vantagens desses tipos de projetos é a possibilidade de articulação entre os momentos de reflexão sobre o sistema alfabético e as práticas da escrita de linguagem e a criação de um contexto da leitura e escrita vivido pelos próprios alunos.

Para esses projetos utilize temas de interesse dos alunos, peça para que eles busquem informações e ajude na revisão do texto, ai vai de você, professor, estipular o tempo desse projeto, uma semana ou até meses.

5º Passo:As Sequências Didáticas

Aqui o aluno pode focar tanto na leitura quanto na escrita. Leia com os alunos diferentes exemplares de um mesmo gênero, várias obras de um autor, textos sobre um tema específico, várias versões de uma mesma história. A sequência didática deve estar ligada ao assunto que o leitor deseja se aprofundar, depois de cada leitura faça uma roda de conversa com seus alunos, será incrivelmente benéfico a eles.

6º Passo: Atividades Permanentes

São atividades diárias onde os alunos terão contatos importantes com o conteúdo, isso auxilia muito na leitura e escrita. Faça listas, textos que trabalhem a memória dos alunos, atividades que envolva seus próprios nomes e dos colegas de sala, deixem que troquem experiências.

O mais importante professor, adéque a alfabetização da(s) turma(s) de acordo a realidade da escola e dos alunos, respeite os conhecimentos prévios, e faça com o processo de alfabetização seja prazeroso e gostoso para ambos os lados, professor e alunos.

Autora: Laís Simão, Pedagoga e Professora Especialista em Deficiências Intelectual e Múltiplas.

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    • Professor 22 de outubro de 2018

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