CRIANÇA HIPERATIVA

 

 

As crianças são agitadas e alvoroçadas, faz parte do seu processo de crescimento e proporciona momentos de aprendizagem que são de suma importância para a criança no seu desenvolvimento, mas quando podemos observar que essa agitação está maior do que o normal? Em qual momento pais, familiares e professores podem desconfiar de que a criança tenha sintomas de hiperatividade?

Vamos conversas um pouco sobre assunto?

HIPERATIVIDADE

Crianças muito agitadas chamam bastante a atenção, desde muito novinhas, os pais percebem que talvez haja algo de diferente em seus filhos, pode ser sinal de hiperatividade, veja alguns sintomas:

  • Inquietude
  • Não brincam com calma
  • Não espera a sua vez
  • Interrompe a fala das pessoas
  • Não consegue manter-se sentada
  • Não consegue se controlar
  • Opositoras
  • Flutuações de humor
  • Fala excessiva
  • Intolerância a Frustrações
  • Mexe constantemente as mãos e os pés
  • Sobem em cima de mesas, cadeiras.
  • Perdem o controle com facilidade

Algumas dessas reações são bem exageradas causando certa preocupação pelos pais, aqueles cujos graus de conhecimento sejam maiores irão desconfiar de algo e procurar um profissional especializado, aqueles que não sabem tanto ou nada sobre o assunto levarão um pequeno susto quando os professores identificarem a hiperatividade da criança na escola.

Hiperatividade x Hereditariedade

Em estudos foi comprovado que a hiperatividade é hereditária, ou seja, ela é herdada de um ou ambos os pais que possuem o código genético, pode ocorrer também por conta dos fatores ambientais durante as primeiras fases da gestação, parto ou os primeiros anos de vida, como:

  • Complicações na gestação: exposição a fumo e/ou a álcool
  • Complicações na gestação: exposição a materiais químicos pesados, como o chumbo e o mercurio
  • Parto: toxemia, eclâmpsia, pós-maturidade fetal, duração do parto, estresse fetal, baixo peso ao nascer, hemorragia pré-parto, má saúde materna. 
  • Traumatismo no feto resultante duma pancada, queda ou acidente
  • Interrupção de fornecimento de oxigênio ao feto
  • Ambiente familiar problemático

O cérebro da pessoa com hiperatividade funciona de uma maneira diferente, não estou falando em nenhum retardo mental, pelo contrario, a pessoa possui uma inteligência normal, o que parece estar alterado é o funcionamento das substancias químicas chamadas neurotransmissores, que passam as informações entre as células nervosas, causando efeitos na concentração.

O comportamento verdadeiro de hiperatividade interfere na vida familiar, escolar e social da pessoa, como os hiperativos não são capazes de filtrar estímulos se distraem com facilidade e apresentam grandes dificuldades de manter a atenção em algo e aprender, querem e precisam estar em constante movimento. Tais situações acabam atrapalhando no seu dia-a-dia, no seu cotidiano e nas relações com os outros, que dividem o mesmo espaço.

É valido ressaltar que o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade não é sinônimo de hiperatividade, embora a maioria dos casos de TDAH a pessoa com esse transtorno apresente os sinais da hiperatividade, pode aparecer em diferentes níveis e intensidades, com os sintomas variados de leve a grave, de acordo com o DSM-5.

O DSM- 5 é o Manual de Diagnóstico e Estatística dos Transtornos Mentais 5ª edição, esse manual feito para os diagnósticos de transtornos mentais, é utilizado por médicos, psicólogos e terapeutas ocupacionais.

Também é valido ressaltar que as crianças em geral são agitadas e mais ativas, isso não significa que são hiperativas, a diferença se caracteriza no excesso dos movimentos físicos, coordenação motora, limites dentre outras características.

A pessoa com hiperatividade necessita de fortes estímulos para se manter focado e atento, mesmo que por pouco tempo, por isso na grande maioria dos casos é necessário que seja feito um tratamento, após ter sido comprovado o diagnóstico para não atrapalhar a vida da criança, ela pode demonstrar também certa impulsividade o que atrapalha ainda mais o seu convívio com adultos e crianças

DIAGNÓSTICO

É preciso que se faça um diagnostico correto de hiperatividade, o profissional do qual a criança será encaminhada deverá ser um especialista nessa área para que se possa descartar qualquer outro tipo de transtorno como o próprio TDAH, do qual é muito confundido com a hiperatividade e associado, sendo que podem ocorrer os dois transtornos juntos ou não, ou outras doenças.

O diagnóstico de hiperatividade pede uma avaliação ampla, com um cuidadoso histórico clínico e do desenvolvimento.  A avaliação deve incluir um levantamento cuidadoso por parte dos profissionais, geralmente psicólogo e psicopedagogo.

São necessários alguns critérios, necessitando, de um diagnóstico diferencial descartando possíveis outras patologias como problema de audição e visão, por exemplo.  A avaliação para comprovação de hiperatividade deve incluir dados recolhidos com professores e outros adultos que interagem com a criança como os familiares, amigos, parentes próximos. 

Para se diagnosticar um caso de hiperatividade é preciso que a criança apresente os sintomas em pelo menos dois ambientes diferentes, podem ser em casa e na escola e por um período superior a seis meses, para o descarte de alguma situação diferente do seu normal como, separação dos pais, chegada de novos irmãos, mudança de casa, mudança de escola, baixa autoestima, dentre outros, para se chegar um diagnóstico correto.

COMO LIDAR COM CRIANÇAS HIPERATIVAS

As crianças hiperativas são bastantes desafiantes de se conviver e trabalhar, há vários relatos de mães que falam o quão cansativo e desgastante para família é ter uma criança hiperativa, e o quão maravilhoso se torna quando a partir do diagnóstico e tratamento adequado passa a ser o convívio, pois a criança a entender o que ocorre com ela.

Falando em tratamento, não existe um melhor tratamento para a hiperatividade, afinal as pessoas são diferentes e se adaptam de maneira diferente, o profissional com base no seu conhecimento adquirido e com o que ele sabe sobe a criança é que falará o que será o melhor a ser feito, porém é sempre bom ressaltar que prática de exercícios físicos, boa alimentação e trabalho mental e emocional são eficientes na grande maioria dos casos.

É de suma importância também que as pessoas ao redor pesquisem sobre o assunto, saiba do que se trata a hiperatividade, como é viver com ela e saber que é algo que não tem cura, o conhecimento é a chave para tudo, e saber pelo menos um pouco sobre tais assuntos já facilita e muito a vida de ambos os lados, seja por parte do professor e aluno, família e criança, dessa forma a convivência torna-se mais prazerosa e fácil para todos.

Veja algumas dicas para a viver melhor ao lado de uma criança hiperativa:

  • Pedir para que ele realize algum favor fora da sala de aula, como pegar algum material que o professor esqueceu, ou em casa, como ajudar a guardar a louça, por exemplo.
  • Deixar que o aluno vá ao banheiro ou tomar água quando ele pedir
  • Deixar que ele fique um pouco em pé o lado de sua carteira ou no canto da sala, sem atrapalhar os colegas.
  • Fale uma coisa de cada vez, não jogue informações em cima da criança, isso a desmotivará.
  • Procure encorajá-lo, elogiá-lo, pois elas se desanimam com facilidade.
  • Quando estiver trabalhando com livros, mostrar os pontos importantes tente chamar-lhes a atenção de uma maneira leve e delicada.
  • Incentivar que eles façam as tarefas e as terminem, eles podem querer parar no meio do caminho e começar outra, assim não termina nenhuma das duas.
  • Sente o aluno longe das janelas e portas, para não se distraírem com facilidade.
  • Converse sempre com calma e tranqüilidade, você é o adulto da situação.
  • Peça para que ele deixe em cima de sua carteira ou mesa apenas o que irá usar para não se distrair com coisas demais.
  • Faça uma rotina com a criança hiperativa, isso contribui no seu senso de organização.
  • Dê instruções claras e simples.
  • Proporcione um ambiente acolhedor demonstrando até um contato físico de maneira equilibrada, claro.
  • Conversar sempre com os pais e familiares, manter esse contato é muito importante para a evolução da criança.
  • Impor limites e objetivos a serem seguidos pelos alunos, apesar de não gostarem de limites é importante que eles o tenham.
  • Trabalhos em pequenos grupos.
  • As aulas de Educação Física podem auxiliar muito, a movimentação e gasto de energia são incrivelmente benéficos nesses casos.
  • Incentive que façam atividades de gasto de energia no contra turno escolar, não é bom ficarem apenas no celular ou em frente a um computador.
  • Seja paciente e amoroso (a), a criança com hiperatividade pode se tornar extremamente insegura com o tempo.
  • Faça com que ele(a) entenda a sua condição, converse de igual, isso fará com que ele(a) se sinta mais confiante e determinado a fazer o melhor.

É bastante difícil lidar com crianças hiperativas, mas com o tratamento adequado, conversas e atividades corretas é possível sim, imagine-se no lugar dessa criança, os medos, frustrações, na compreensões que elas possam ter por não entender tão bem ainda o mundo que as cerca, por isso faça com carinho e com amor, dessa forma fica mais fácil e prazeroso e não traumatizante e frustrante para ambos os lados.

Laís Simão, Pedagoga e Professora Especialista em Deficiências Intelectual e Múltiplas.

CARVALHO, Rosita Edler- EDUCAÇÃO INCLUSIVA: COM OS PINGOS NOS IS

Algumas sugestões de atividades em vídeo para crianças hiperativas

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