EDUCAÇÃO INCLUSIVA NO BRASIL

 

educação-inclusiva-no-brasil

A educação, no modo amplo da palavra, tanto para os alunos ditos normais como para os que possuem alguma necessidade educacional especial é um direito garantido por lei, na Constituição Federal e reforçada na LDBEN, decretos, portarias, resoluções e documentos internacionais.

O direito dos alunos com Necessidades Educacionais Especiais

A Constituição Federal (art. 205) garante o direito dos alunos com Necessidades Educacionais Especiais afirmando que os mesmos também devem estar matriculados no ensino regular visando o seu crescimento, educacional, pessoal e principalmente o social.

A escola deve ser um ambiente socializador e inclusivo, onde todos os alunos tenham seus direitos básicos, garantidos e assegurados, porém não todas as escolas, diretores, coordenadores pedagógicos que tem a visão da educação inclusiva em mente, dominados ainda por um modelo tradicionalista de escola e ensino, não é aceitável que ocorra a inclusão das diferenças em sala e escola, o que dificulta e em alguns casos impossibilita o processo de ensino do professor que trabalha com a inclusão e do aluno que necessita estar sendo incluso.

Mas por que esse preconceito?

Bom, historicamente nunca fomos muito acolhedores com as diferenças, no sentido do homem em si, desde o início o mais forte seria aquele que sobreviveria ao final, seria ele a pessoa mais importante do bando.

Com o passar dos anos e evolução as sociedades passaram a excluir a pessoa nascida com alguma deformidade, sendo ela vista como uma incapaz.

Na idade média, eles acreditavam que a criança nascida com deficiência era fruto de uma ação demoníaca, sendo visto pela igreja como um castigo para os pais, em alguns locais era até aceito o assassinato dessas crianças para que seus pecados fossem embora juntamente com o demônio que a habitava, com o passar dos anos tal atrocidade foi proibida, porém aqueles que possuíssem alguma deficiência ainda sim eram excluídos, por ser diferente do que era considerado normal.

Mesmo com mudanças através dos séculos e a criação de instituições para pessoas com necessidades diferentes como, o Imperial Instituto dos Meninos Cegos, hoje Instituto Benjamin Constant- IBC e o Imperial Instituto dos Surdos-Mudos, hoje Instituto Nacional de Educação de Surdos- INES.

O diferente do normal ainda era visto sob os olhos do preconceito, a partir do momento que as crianças iam para escola, era comum que os professores e colegas de sala as isolassem aos cantos ou fundos da sala, para que não tivessem contato com elas, crianças nascidas negras eram separadas das brancas pelo sistema de ensino. As excepcionalidades eram vistas como sinônimo de incompetência e um indivíduo eternamente doente, invalido, incapaz, sem capacidade de cuidar nem de si próprio, ou seja, era visto apenas como um fardo pesado para a família e a sua sociedade. Em 1954 foi inaugurada a “Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais”, a APAE, que segue seu trabalho até os dias atuais.

Educação Inclusiva no Brasil na década de 50

A partir da década de 50 a inclusão começou a ser um alvo mais forte para as pessoas que defendiam que os direitos deveriam ser iguais para todos.

No Brasil o ensino estava passando por reformas, por conta do sistema tecnicista, onde as pessoas com deficiências ou dificuldades de aprendizagem não se encaixavam completamente, o governo visava gerar lucros, por isso o ensino era em sua maior parte técnico apenas, sem exigir muito do aluno desde que pudesse ele trabalhar e garantir lucros, ainda sim os institutos para pessoas surdas e cegas funcionavam e ao que parecia muito bem para a tecnologia e conhecimento da época.

Por conta da segunda guerra mundial, diversos soldados tornaram-se deficientes físicos, por conta de tal fato a Europa começa a realizar estudos sobe como integrar e incluir esses soldados de volta a sociedade, começa a partir daí um grande trabalho de inclusão.

Educação Inclusiva no Brasil década de 60/70 

Aqui no Brasil foi apenas a partir da década de 60/70 mais ou menos que a inclusão começou a tomar proporções realmente consideráveis, cuja sua origem está vinculada aos direitos humanos e a garantia do mesmo.

Em 1994 a Declaração de Salamanca trouxe para dentro da escola o que de fato era incluir, os alunos com necessidades educacionais especiais teriam agora a oportunidade de finalmente ter o seu lugar na sociedade.

A declaração ampliou o significado do termo NEE assim todas as crianças que não estão conseguindo se beneficiar da escola, seja por dificuldades temporárias; repetindo o ano letivo; vítimas de guerra ou conflitos armados; abusos físicos; deficiências terão o seu ensino garantido da mesma forma.

Segundo a própria Declaração de Salamanca a escola é um local onde todas as crianças devem aprender juntas, seja qual for a sua dificuldade ou diferença, ela precisa estar apta e bem organizada para receber todos os tipos de alunos que a sociedade atual tem, e respeitá-las por isso.

Brasil o país da Inclusão?

educação-inclusiva-no-brasil

O nosso país recebe diversos tipos de pessoas e as acolhe como se fossem típicos brasileiros, porém para que isso ocorra normalmente na educação ainda se faz necessária uma mudança na estrutura organizacional pedagógico das escolas.

É de suma importância que o Projeto Político Pedagógico esteja muito bem planejado de acordo com a demanda da escola, assim os profissionais da educação terão como elaborar da melhor maneira o currículo escolar, lembrando que o currículo é flexível e essa flexibilidade na escola inclusiva proporciona ajustes a organização didática.

Tornar a sala de aula um ambiente inclusivo, lembrando que o importante é a sala não ser igual, trazendo uma aprendizagem nas diferentes formas de aprender sobre determinado assunto, diferentes culturas, traz ao aluno uma valorização das diferenças, possibilitando a todos os alunos uma rica aprendizagem.

Essa flexibilidade, adequações, enfim igualam os direitos de aprendizagem de todos os alunos da sala de aula, garantem a sua participação e o convívio social com os outros alunos, proporcionando sempre bons momentos de aprendizagem.

Avaliação e Educação Inclusiva

O modo de avaliar o aluno também deve mudar, o professor deve avaliar o aluno diariamente, nas atividades em sala com os colegas, nas tarefas propostas pelo professor, no tratamento das informações.

As provas realizadas pelos alunos também devem ser avaliadas de forma diferente e carinhosa por assim dizer, o objetivo do professor é analisar os sucessos e insucessos dos alunos juntos aos mesmos e também com a família, incluí-los nesse processo é de suma importância, para que ambos os lados, família e aluno, sintam a importância do que esta sendo feito.

O professor deve ter em mente que ele não é um palestrante ou um mero transmissor de conhecimentos, ele tem que dividir com a turma a construção do saber, assim todos da turma interagem e constroem conceitos, valores e atitudes.

É preciso que ele tenha uma atmosfera acolhedora em sala, e em partes quem proporcionará isso será ele mesmo, ele precisa criar um ambiente de inclusão, mostrando que ali todos são igualmente importantes.

As diferenças dos alunos dentro da sala de aula sejam elas por suas necessidades educacionais especiais, étnicas, religiosas, de gênero e etc. são de suma importância para a construção da identidade dos alunos, é a partir dessa quebra de preconceitos e valorização das diferenças de cada um, que a educação inclusiva irá acontecer.

Dessa forma o professor, os alunos, a escola, a comunidade e a família constroem uma sala que proporciona a todos os alunos um aprendizado de qualidade, a liberdade e diversidade das opiniões dos alunos, respeitando uns aos outros, principalmente.

Uma inclusão do bem…

A educação inclusiva é educar todas as crianças no mesmo contexto escolar, é claro que isso não significa a negação das dificuldades de cada um, pelo contrário significa que as diferenças, os problemas de cada aluno não são vistos como empecilho, são apenas diversidades, diferenças é a realidade que pode ampliar o poder de visão e desenvolver habilidades e qualidades significativas nos jovens alunos, que futuramente serão os cidadãos do Brasil.

Ela tem sido um caminho importante para a construção de uma escola que ofereça uma oportunidade a todos os alunos e atenda as necessidades de cada um, valorizando e respeitando cada peculiaridade.

A escola totalmente inclusiva

Por fim a escola totalmente inclusiva ainda é para poucos infelizmente, entretanto é possível alcançá-la com muito trabalho, tanto por parte da escola como também da comunidade, da família e também dos alunos, está em construção, em fase de implementação e por isso necessita de muita ajuda por parte das pessoas que estudam os benefícios da educação inclusiva e da família que quer incluir sua criança em uma sociedade igualitária e justa.

São vários os desafios para que a educação inclusiva cresça forte, mas é preciso que a escola de adapte e os professores também, felizmente hoje em dia não da mais para termos uma escola tradicionalista, todos os alunos tem experiências válidas e podem ser ouvidos.

É possível observar que nos dias atuais existe muita preocupação com o aluno e a aprendizagem do mesmo, e isso tende sempre a melhorar o processo de ensino/aprendizagem dos alunos e da escola, tornando-a um ambiente agradável, inclusivo e socializador, livre de preconceitos e rica em respeito e diversidades, um ambiente favorável a todos que nela estão inseridos, um ambiente acolhedor e rico em conhecimento.

Laís Simão, Pedagoga e Professora Especialista em Deficiências Intelectual e Múltiplas.

Mais Sugestões de Atividades de Educação Inclusiva

INCLUSÃO NO JOGO PARA CRIANÇAS COM PARALISIA CEREBRAL

Inclusão Social Na Escola

APOIO E ACOMPANHAMENTO À INCLUSÃO

Cartilha da Inclusão Escolar em PDF

Baixe gráttis Revista da Educação Especial/ Inclusão

A INTERDISCIPLINARIDADE NA PRÁTICA PEDAGÓGICA DO EDUCADOR: ELEMENTO POSSIBILITADOR DE FORMAÇÃO CIDADÃ E INCLUSÃO SOCIAL.

Adicionar Comentário